sábado, outubro 14

Vaporetto

Queria deixar aqui o registro de que a tinta do opalão saiu quase toda com o auxílio luxuoso de um Vaporetto! Um trabalho minucioso e lento, mas que deu um belo resultado!

Não, não voltou a ser como dantes, mas não se tem mais aquela péssima impressão de que o dono do carro é barbeiro. Sim, quando eu vejo um carro com a frente danificada, eu logo penso que a culpa é do dono. Agora que me acertaram de ré, acho que vou mudar essa opinião.

Não que eu nunca tivesse aventado a possibilidade de ser uma batida de ré. Eu mesmo já dei em cima de um outro carro. Na época, eu dirigia o Prêmio, que em dia de chuva e com lotação máxima ficava completamente embaçado. Não, isso não é desculpa. Era um dia de chuva e o carro estava com lotação máxima e parei num sinal. O carro da frente morreu, e eu dei ré pra sair dele e acertei o chevette atrás de mim porque não conseguia vê-lo devido ao máximo embaçamento do vidro traseiro.

Sim, foi barberagem. Aí desci pra ver se havia estrago: o meu parachoque traseiro já era quebrado mesmo, só soltou mais uma vez e deu uma amassadinha no do chevette. Mas o motorista do chevette era um menino, que ficou mesmo abalado com aquilo tudo. Pensei até que ele nem tivesse carteira porque ele não quis conversar, só olhou lá o amassadinho e entrou logo no carro. Aí eu dei de ombros e fui embora tambem.

Fiquei com dó do menino que talvez tivesse conseguido o carro emprestado com muita dificuldade com o pai, depois passou a tarde inteira lavando com esmero para, primeiro chover, depois vir um fiadaputa e acertá-lo de ré. Como que ele iria explicar isso em casa?

São situações assim que me fazem lembrar daquela máxima da velha filosofia grega: "É Foda!"